Descubra aquilo que aprendemos sobre UX Design (até agora)

A sua viagem pelo mundo da UX (User Experience, experiência do utilizador) começa aqui.

Vamos explorar os principais conceitos relacionados com a experiência do utilizador e o UX Design.

Aprender as noções básicas vai garantir que será capaz de criar um website que atraia e envolva os visitantes, transformando-os em clientes.

Neste guia, vai aprender:

  1. UX Design
  2. Experiência do utilizador
  3. Design Thinking
Martin Trauzold
Martin Trauzold
Última atualização Janeiro 11, 202121 Minutos de leitura
Descubra aquilo que aprendemos sobre UX Design (até agora)
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O que é o UX Design?

Cobrir todos os aspetos de um tema vasto e complexo como o UX Design seria desafiante para qualquer guia, artigo ou livro. A experiência do utilizador abarca tudo o que vai da investigação à usabilidade de websites e ao UX Design.

O famoso designer industrial alemão Dieter Rams afirmou uma vez:

“O design adequado é o menos design possível.”

Vamos dar-lhe algumas dicas sobre design (simples e sem complicações!). Assim, conseguirá criar o design adequado para si e para os seus clientes.

O UX Design pode fazer-se bem ou mal


  • Porque é que alguns websites e aplicações web são tão difíceis de usar?
  • Como é que um mero formulário online é capaz de nos fazer sentir tão frustrados?
  • Porque é que os botões são tão confusos, ou porque é que o menu de navegação do website é tão complicado?
  • Porque é que nada funciona como é suposto?

Pense na situação contrária:

Porque é que alguns websites e aplicações web são tão fáceis de usar?

Proporcionam uma experiência do utilizador excelente, um funcionamento simples e sem problemas e têm um design espetacular. Sabe porque é que funcionam tão bem?

Porque o design do website ou aplicação web em questão foi criado a pensar no utilizador. Ter uma boa UX passa por fazer com que tudo funcione de acordo com as expectativas dos utilizadores.

Sessão Cat Noon: “The Misconstrued User Experience”, @mobX (fotografia de Thorsten Jonas)

Podemos encontrar exemplos de má experiência do utilizador por todo o lado (infelizmente). Talvez tenha tido uma má experiência da última vez que encomendou comida online, ou quando reservou as suas férias na Ásia.

A verdade é: usamos a Internet todos os dias, no telemóvel, computador portátil, tablet, smart TV e outros dispositivos. Todas estas plataformas usam o UX Design como estratégia para proporcionarem aos utilizadores uma experiência relevante, significativa e memorável. Por vezes, conseguem. Outras, nem tanto.

Brad Frost explica:

“Acredito que cada uma das pessoas que ajuda a criar um produto é um UX Designer. O editor, que faz com que os conteúdos sejam fáceis de ler e explorar, é um UX Designer. O programador back-end, que faz com que os sites sejam seguros e rápidos, é um UX Designer. O designer visual, que usa cores, tipografia e texturas para tornar os sites fáceis de usar, é um UX Designer.”

O processo de criação de websites, aplicações web e serviços que proporcionam aos utilizadores experiências significativas e relevantes chama-se UX Design.

UX, XD, UCD, UI… É tudo a mesma coisa?

A resposta mais curta é “não”. Compreender o espetro de cada uma das diferentes funções do UX Design é fundamental para adquirir novas competências e melhorar enquanto designer. Vamos dar uma olhada:

Experiência do utilizador (UX)

A UX consiste na interação do utilizador e na qualidade da sua experiência quando interage com um website, aplicação web ou serviço. Pode proporcionar ao seu website um funcionamento superior ou tantas funcionalidades quanto desejar. No fundo, o sucesso do seu projeto vai depender de como os utilizadores se sentirem em relação ao mesmo. Esperemos que se sintam muito bem!

User Experience Design (XD)

Enquanto a UX tem a ver com a ligação entre um utilizador e um website, tecnologia ou dispositivo, o XD (User Experience Design, design da experiência do utilizador) interessa-se pela experiência global de uma determinada marca.

Vejamos.

O User Experience Design costuma ser usado quando se fala de marketing de marcas. Normalmente, é impulsionado pelos momentos de compromisso entre pessoas e marcas. A experiência de uma determinada marca na mente do cliente, as ideias, recordações e emoções criadas por esses momentos são consideradas XD.

Panorama geral do XD e áreas prioritárias da UX (fonte: toptal.com).
  • User-Centered Design (UCD)

OK. Queremos criar um website ou aplicação web. De que precisamos? Precisamos de utilizadores e objetivos de negócio.

Enquanto a UX se foca na qualidade da experiência, o UCD (User-Centered Design, design centrado no utilizador) estuda estratégias e processos para criar essa experiência.

Os objetivos de negócio, bem como os utilizadores, estão no cerne de todas as esferas, processos e estratégias: desde investigação sobre utilização, planeamento, UX Design, usabilidade de websites, Responsive Design, User Interface Design até ao desenvolvimento e implementação.

É uma abordagem de design que alinha os objetivos de um negócio com o tipo certo de utilizador para o mesmo, a fim de dar-lhes vantagens a ambos.

  • User Interface (UI)

O que é o UI Design? Em poucas palavras, refere-se aos aspetos estéticos.

O UI (User Interface Design, design de interface do utilizador) é mesmo isso. Tem a ver com a aparência do site. A interface certa permite ao seu produto atingir um patamar superior a nível profissional e gera confiança junto do público. Ao gerar confiança e segurança, atrairá os clientes certos e fará com que o seu website, aplicação web ou serviço se distinga da concorrência do mercado.

O User Interface Design tem a ver com a aparência do site e as sensações que cria nos utilizadores. Engloba as imagens, botões, elementos gráficos, texto e animações.

Como podemos juntar isto tudo?

Como já deve ter reparado, alguns destes aspetos têm elementos em comum, enquanto outros se complementam. O quadro abaixo proporciona uma visão geral do espetro dos domínios abrangidos pelo design de websites modernos:

https://uxdesign.cc/the-spectrum-of-digital-design-roles-in-2018-3286390a9966

Apresentámo-lhe diversas áreas e funções da experiência do utilizador e do design de websites modernos. Concluindo, é preciso reconhecer que pensar nos utilizadores ajuda todos os intervenientes no processo de design:

  1. O negócio: permite poupar tempo e dinheiro através da redução de custos e aumento da taxa de satisfação entre os utilizadores.
  2. Os programadores: mostra-lhes o caminho a seguir e aumenta as hipóteses de terem êxito no projeto.
  3. Os utilizadores: é o que faz com que os utilizadores comprem um produto em vez de saírem do website, ou concluam uma tarefa em vez de desistirem a meio (e nunca mais voltarem a iniciá-la).

Ainda está a ler? Ótimo.

O objetivo principal do UX Design é perceber o raciocínio dos utilizadores.
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Experiência do utilizador: porque é que é importante?

Mas porquê? Porque havemos de pensar na experiência do utilizador e no UX Design e perder tempo a conhecer tantos conceitos e postos de trabalho? É disso que vamos falar a seguir.

Neste momento, é provável que esteja a pensar:

  • “Eu só queria !” criar o design de um website
  • “Os meus clientes só precisam de um deles!” design moderno para o website
  • “Porque é que preciso de saber isto tudo?”
  • “É assim tão complicado criar um ?” website com o design adequado

Infelizmente, estas perguntas denotam três grandes problemas.

  1. Luta pela atenção: nos primeiros tempos da Internet, havia uma necessidade muito inferior de lutar pela atenção dos utilizadores. Tanto os utilizadores como os programadores estavam ainda a tentar perceber como usufruir inteiramente do potencial da Internet. Fundamentalmente, as marcas e empresas criavam a sua imagem e reputação offline.
  2. Desvalorização do utilizador: se não pensarmos nos utilizadores, o sucesso ou fracasso de um projeto dependerá, meramente, da sorte. A equipa de design e os empresários usarão o seu discernimento para avaliaram os objetivos do website ou aplicação web.
  3. Vantagem competitiva: houve uma altura em que a Internet era apenas dominada por especialistas. Felizmente, isso já não acontece. Hoje em dia, a Internet é o sítio mais democrático do mundo. Se não fizer as perguntas certas e não aprender a melhorar as suas competências de design, terá milhares de pessoas, de diversos backgrounds, a passarem-lhe à frente.

Uma indústria em expansão

O UX Design é uma indústria em expansão no mundo inteiro. As empresas têm vindo a descobrir que podem obter uma elevada ROI (return on investments, remuneração do investimento) se investirem na experiência do utilizador para os seus produtos e serviços web.

O User Experience Design já não é um serviço exclusivo das empresas gigantes tecnológicas ou agências de publicidade. Este campo continua a integrar-se noutras indústrias, como a educação, moda, cinema e ONGs (organizações não governamentais).

Para além de a procura por UX Designers ser alta, os salários são também bastante competitivos. O CareerFoundry tem um excelente artigo sobre o mercado de trabalho da UX e os seus salários:

Salários de UX Designer por país, segundo o CarreerFoudry

UX designer salaries by country by CarreerFoudry

O mercado de trabalho e oportunidades para UX Designers dispararam nos últimos 10 anos e prevê-se que a necessidade de UX Designers de alta qualidade venha a aumentar. O UX Design foi também considerado o 6.º ramo com os melhores salários em início de carreira, segundo este estudo do Glassdoor.

Conheça uma perspetiva sobre a ROI da experiência do utilizador da mão da Human Factors International:

Human Factors International: ROI da experiência do utilizador

Hoje em dia, o vasto espetro dos postos de trabalho e atividades de UX Design, bem como as suas crescentes oportunidades de mercado no mundo inteiro, podem surgir em diversas esferas:

  • Projetos complexos: os projetos complicados tornam-se mais fáceis de gerir quando se pensa na UX. Apresentar demasiadas funcionalidades de maneira errada pode fazer com que os utilizadores percam a vontade de usar o seu website ou aplicação web.
  • Startups: as startups de alta tecnologia continuam a desenvolver projetos inovadores e precisam de métodos que lhes permitam compreender os comportamentos dos utilizadores, que podem ir desde as suas sensações ao modo como interagem com uma aplicação web.
  • Projetos com orçamentos modestos: as pequenas empresas não fazem investigação sobre a em projetos de baixo valor. Contudo, qualquer equipa de desenvolvimento de projetos com um orçamento modesto vai atribuir alguns dos seus recursos financeiros a um grupo de UX Designers. experiência do utilizador
  • Projetos longos: quanto mais longo for um projeto, mais recursos vai precisar de usar. Assim sendo, o e a proporcionam-lhe ainda mais vantagens de remuneração do investimento. UX Design experiência do utilizador
  • Campos em expansão: o  já não é um serviço exclusivo das empresas gigantes tecnológicas ou agências de publicidade. Visto tratar-se de uma área com rápido crescimento, tem vindo a integrar-se rapidamente noutras indústrias, como a educação, moda, cinema e ONGs. User Experience Design

Dê uma olhada a estas 13 estatísticas impressionantes sobre UX Design.

Leia o Design Census, no qual participaram 9429 designers.

Descubra mais sobre o estado da UX em 2020 aqui.

A arte do gamanço

Para quem está a iniciar-se em algo novo, é sempre bom aprender com quem sabe. Os seguintes princípios e conceitos foram criados por alguns dos UX Designers mais influentes. Não tenha vergonha: copie quem sabe.

  • Don Norman, “padrinho” da UX Em 1988, Don Norman, “padrinho”da UX, foi o primeiro a descrever o design com base nas necessidades dos utilizadores. Começou a trabalhar na Apple em 1993 e tornou-se a primeira pessoa a ter as palavras “experiência do utilizador” no título do seu posto de trabalho. Para Norman, a beleza ou valor ornamental das coisas pouco importa; o que realmente importa é em que medida satisfazem as necessidades dos seus utilizadores.
Don Norman from https://www.nngroup.com/
  • Jesse James e o UX Iceberg Escritor de um dos clássicos sobre experiência do utilizador, “The Elements of User Experience,” Jesse James Garrett dividiu o processo de criação da experiência do utilizador em cinco elementos: . O nível da superfície: à superfície, pode ver-se uma série de designs de páginas web, criados com imagens e texto. Pode clicar nalgumas destas imagens.

O processo dos cinco níveis, por James Garret

  • O nível do esqueleto: por baixo da superfície, encontra-se o esqueleto do website ou aplicação web. É o local ideal para integrar botões, separadores, fotografias e blocos de texto, otimizando assim o layout e disposição dos elementos a fim de obter uma eficiência e efeitos máximos.
  • O nível da estrutura: a estrutura define o modo como os utilizadores chegam a uma página web e o local para onde podem ir após terminarem.
  • O nível do âmbito: determina as diversas funcionalidades e funções do website ou aplicação web e o modo como funcionam em conjunto. Determinar se uma funcionalidade (qualquer funcionalidade) deve ser incluída no website é uma questão de âmbito.
  • O nível da estratégia: lida com a estratégia do website. Incorpora não só a equipa de e os objetivos de negócio, mas também aquilo que os utilizadores desejam retirar do site. UX Design

O conceito dos cinco níveis foi mais tarde (re)utilizado e popularizado pelo sistema do UX Iceberg, baseado no clássico livro de Jesse.

O UX Iceberg (à direita) inspirado pelo clássico “The Elements of User Experience”.
  • Peter Morville e a Honeycomb experiência do utilizador Desde 1994 que Peter Morville é considerado pioneiro nas áreas da experiência do utilizador e arquitetura da informação. Criou um dos diagramas mais divulgados e usados para “ilustrar as facetas da experiência do utilizador – especialmente para ajudar os clientes a perceberem porque devem ir para além da facilidade de uso.” A UX Honeycomb tem sete facetas e a “grande colmeia” ilustra, segundo Morville, um “lugar dinâmico e multidimensional onde ainda há muito espaço para construir novas caixas e desenhar muitas setas, pelo menos durante os próximos dez anos”.

Parece que Peter tinha razão. A frase é de 2004 mas, 16 anos depois, continuamos a falar sobre isto.

Source: https://www.usertesting.com/

Os antigos especialistas e primeiros UX Designers reconheceram que a conceitualização do trabalho proporcionaria mais clareza e incentivaria a indústria da UX a desenvolver melhores produtos e experiências para os utilizadores.

“Deve colecionar boas ideias. Quanto mais boas ideias colecionar, mais pode escolher quais são aquelas que quer que o influenciem.” – Austin Kleon

AUSTIN KLEON

A função de um designer principiante passa por entender os princípios básicos e construir alicerces. Por isso, a melhor forma de nos tornarmos bons UX Designers é pensarmos como tal.

Leia o livro A Arte do Gamanço de Austin Kleon

Saiba mais sobre a arquitetura da informação

Outro clássico: “The Double Diamond UX concept” do designcouncil.org.uk

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Design Thinking vs. UX Design

O UX Design tem como objetivo resolver problemas concretos dos utilizadores e preocupa-se com a qualidade da experiência do utilizador (em websites, produtos ou aplicações web). Por sua vez, o Design Thinking preocupa-se em encontrar o problema certo para resolver.

Popularizado pela Stanford d.school, o processo de cinco etapas do Design Thinking pode ser aplicado de uma maneira geral e para além das áreas da UX e do design tradicional.

É um processo útil para enfrentar problemas desconhecidos e pode dividir-se em cinco etapas:

  1. Empatizar: pesquisar as necessidades dos utilizadores.
  2. Definir: determinar as necessidades e problemas dos utilizadores.
  3. Imaginar: esquecer as suposições e conceber novas ideias.
  4. Criar um protótipo: criar soluções e repeti-las.
  5. Testar: experimentar possíveis soluções.

O Design Thinking não acontece de forma linear. Deve explorar o processo dos cinco níveis para obter uma visão mais aprofundada dos utilizadores e da eventual solução ideal para os mesmos.

“O Design Thinking é uma abordagem antropocêntrica à inovação, que integra as necessidades das pessoas, as possibilidades oferecidas pela tecnologia e os requisitos necessários para o sucesso dos negócios. ” – Tim Brown, CEO da IDEO

TIM BROWN, CEO OF IDEO

Aprenda mais sobre o Design Thinking com o vídeo “The Explainer”:

Pensamento sistémico

O pensamento sistémico é uma ferramenta para analisar, de modo geral, o sistema de realização de atividades.

  • Porque é que temos falhas?
  • Como podemos melhorar a comunicação entre as equipas?
  • Porque é que as outras equipas têm um orçamento diferente se alcançamos o mesmo objetivo?
  • Como podemos desenvolver melhor a nossa estratégia?

Estas são perguntas essenciais nos modelos de pensamento sistémico. É uma abordagem ao design de nível superior quando comparada com a abordagem centrada nos utilizadores.

Ao compreenderem as ligações existentes a nível coletivo, os designers vão perceber melhor o modelo de negócio e a indústria dos seus utilizadores, criando assim produtos e experiências mais relevantes para os mesmos.

Tudo fará sentido quando compreender o panorama completo:

OK. E agora?

Se tivéssemos de resumir aquilo de que falámos, até agora, sobre o UX Design, o que acha que diríamos?

É provável que esteja a pensar nalgum tipo de abordagem ao design multifacetada, em que a experiência do utilizador se encontra no cerne de tudo.

Nada mau. Os UX Designers devem entender o raciocínio dos utilizadores e transformar ideias e comportamentos complexos numa interface que seja fácil de usar. Além disso, a experiência dos utilizadores deve ser agradável, para que voltem regularmente e/ou possam atingir o seu objetivo final.

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